EVANGELISMO E MISSÕES NO SÉCULO XXI

EVANGELISMO PESSOAL

Como já temos visto, evangelizar é tarefa para todos os cristãos.  Vimos também que evangelizar é compartilhar o Evangelho do Reino:  a possibilidade do ser humano colocar-se debaixo do governo de Deus, através da vida, morte e ressurreição de Cristo.
Também já estudamos que o objetivo do evangelismo é o DISCIPULADO.  Ninguém melhor para nos ensinar sobre como evangelizar do que o próprio Senhor.  Vamos estudar João 4 e aprender os princípios do evangelismo pessoal.

Aprendendo com Jesus os Princípios do Evangelismo Pessoal:

 Jesus nos deixou um maravilhoso exemplo de como evangelizar através do seu encontro com a mulher samaritana (João 4:1-29).             

1º) IR ATÉ ELES (vs. 3 a 7)

                        O método que muitos crentes utilizam (e também Igrejas) é o de esperar que os não crentes venham até nós.  Observe que Jesus não esperou que aquela samaritana fosse procurá-lo em Jerusalém, ou mesmo em Cafarnaum, na Galiléia.  O texto bíblico conta que Ele foi até Sicar, junto a um poço aberto pelo patriarca Jacó, e que ficou ali  descansando (acredito que Ele esperasse pela mulher) por volta do meio dia - o horário mais quente e menos provável de alguém “normal” buscar água no poço. 
                       
Lembremos da Grande Comissão: “Ide” (Mt 28:19).

                        Em Romanos 10:17, o apóstolo Paulo afirma: “A fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Cristo”.  Nos versos 14 e 15 ele raciocina logicamente: “Como pois invocarão aquele em quem não creram? e como crerão naquele de quem não ouviram falar? e como ouvirão, se não há quem pregue? E como pregarão, se não forem enviados?”.  É óbvio que o primeiro passo para levar um pecador a Jesus é ir até ele com a palavra!

                        Leia os seguintes textos e observe este passo no ministério de Jesus: Mt 9:23-26;  Lc 5:30-31; 7:37-39; 11:37-39; 19:5-6.

2º) INTERESSAR-SE POR ELES (vs. 6 a 9)

                        Aprendemos com Jesus que temos que nos interessar pelos outros se quisermos que eles se interessem pelo que temos a falar. A narrativa bíblica nos mostra o interesse de Jesus em auxiliar a samaritana.

                        O sentimento que nos leva ao interesse pela pessoa que não conhece o Evangelho é a compaixão.  Na Parábola do Bom Samaritano, em Lucas 10:25-37, Jesus deixa claro aos seus discípulos que eles deveriam demonstrar compaixão para quem quer que precisasse de seu auxílio.

                        Os Evangelhos relatam em diversas passagens a compaixão do Senhor, necessária para nos dispormos a levar as boas novas a alguém:

a) Em Mt 9:27, dois cegos clamar a Jesus: “Tem compaixão de nós, Filho de Davi!”;

b) Em Mt 9:35 e 36: “E percorria Jesus todas as cidades e aldeias, ensinando nas suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino, e curando toda sorte de enfermidades.  Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque andavam desgarradas e errantes, como ovelhas que não têm pastor.”

c) Em Mt 14:14: “E ele, ao desembarcar, viu uma grande multidão; e compadecendo-se dela, curou os seus enfermos” (quando da 1a. multiplicação dos pães).

d) Em Mt 15: 30-32, Jesus demonstra sua compaixão na 2a. multiplicação dos pães: “Jesus chamou os seus discípulos e disse: tenho compaixão da multidão...” (v. 32).

e) Em Mt 20:30-34, Jesus sentiu compaixão pelos cegos:  “E Jesus, movido de compaixão, tocou-lhes os olhos, e imediatamente recuperaram a vista, e o seguiram.” (v. 34).

f) Em Lc 7:11-14, Jesus compadeceu-se da viúva de Naim:  “logo que o Senhor a viu, encheu-se de compaixão por ela, e disse-lhe: não chores.” (v. 13).

3º) DESPERTAR A CURIOSIDADE DELES (vs. 7 a 9)

            Jesus fez um simples pedido à samaritana: dá-me de beber. Entretanto, este pedido causou uma reação na mulher:  “como você, sendo um judeu, pede água para mim, samaritana?”.  O fato de judeus e samaritanos serem inimigos provocou esta reação.  Porém, Jesus era diferente e a mulher interessou-se em saber o por que.  Se nós agirmos da mesma maneira  que o mundo, não despertaremos a curiosidade de ninguém para o que temos a oferecer.

            As diferenças que o mundo precisa enxergar em nós:

            a) a nossa união, como Corpo de Cristo:  Jo 17:21 
           
b) as boas obras que glorifiquem a Deus: Mt 5:13-16 
           
c) a vida irrepreensível de um legítimo filho de Deus: Fp 2:14 e 15 
           
d) uma fé que subsista aos olhares mais atentos:  II Reis 4:9, Dn 6:3 e 4

            Uma boa técnica para despertar a curiosidade é a da PERGUNTA estratégica:

            i) Se o seu coração parasse de bater agora, para onde iria sua alma? 
           
ii) Se você morrese, sua alma chegasse à porta do céu e lá um anjo lhe perguntasse: “Por que deveria eu deixá-lo entrar no céu?”.  O que você responderia? 

           
iii) Você sabe quantas religiões existem no mundo?  Já lhe informaram de que, na verdade, só existem duas?

4º)  DAR A PALAVRA CERTA NO TEMPO OPORTUNO

            Apesar do interesse e curiosidade demonstrados pela mulher samaritana, Jesus trabalhou com ela com calma.  A mulher estava envolvida na atividade de retirar água do poço e Jesus levou-a a interessar-se pela água viva (v. 10).  Jesus mostrou-lhe que conhecia fatos acerca da vida dela (vs. 16-18) e a samaritana pensou que ele fosse um profeta.  A mulher queria saber onde deveria adorar a Deus: em Gerizim ou em Jerusalém (v. 20).  Jesus ensinou-lhe que Deus procura quem o adore em espírito e em verdade (vs. 23 e 24).  Foi neste ponto que a mulher lembrou-se da promessa do Messias e que Jesus revelou-se como o Salvador prometido (v. 25 e 26).

            O segredo para apresentar a PALAVRA CERTA no tempo oportuno é o trabalho na dependência do ESPÍRITO SANTO.  Já vimos no “módulo 1” acerca da obra que o Espírito Santo faz, nos capacitando com poder, autoridade e sabedoria para evangelizar (Atos 1:8, Mt 10:19 e 20).

        Para cada tipo de pessoa há uma maneira melhor de apresentar o Evangelho:

         a) a pescadores:  “Eu vos farei pescadores de homens” (Mt 4:19). 
       
b) a pessoas acostumadas à vida agrícola:  o semeador (Mt 13:1), o joio e o trigo (Mt 13:24), os lavradores maus (Mt 21:33). 
       
c) a apreciadores de esportes:  I Co 9:24-27. 
       
d) a conhecedores da vida pastoril:  Jo 10:7ss 
       
e) a familiarizados à rotina militar:  Ef 6:10-17

5º)  NÃO CONDENAR

            Evangelizar não é se fazer juiz de alguém.  O próprio Jesus não condenou a mulher samaritana - Ele falou do seu pecado, lembrando-lhe de seus cinco maridos.  Ela mesma sentiu sua condenação.  Em João 8:11, podemos observar a palavra que Jesus deu à mulher surpreendida em adultério: “Nem eu te condeno;  vai-te e não peques mais”.

            Condenar uma pessoa pelos seus maus feitos serve, muitas vezes, para fechar a porta de oportunidade para evangelizá-la.  Lembremos que ser cristão é muito mais do que seguir regras como “não fumar” e “não beber”.

            Lembre-se que quem convence a pessoa de seu pecado, da justiça de Deus e do juízo é o próprio Espírito Santo de Deus!  (Jo 16:8).

Paulo Rogério Petrizi