DESTINO OU JORNADA?

Quer nossa viagem seja por um rio ou pela vida, encontramos sempre dois tipos de pessoas. Há aqueles cuja mente está posta no destino, e no que farão quando chegarem lá. A viagem em si não atrai seu interesse. É algo que eles querem pôr atrás de si o mais rápido possível. Depois há aqueles cuja mente está voltada para a viagem, e no que experimentarão pelo caminho. A viagem até o destino é tão importante como o destino em si.

A vida é um destino ou uma viagem? De todas as pessoas, os cristãos são os que mais provavelmente encararão a vida como um destino. Afinal de contas, eles não estão indo para o céu? Se estamos apenas "de passagem", por que deveríamos nos interessar pelas coisas do caminho?

A vida pode nos levar a um destino, mas é a viagem em si que nos faz ser o que somos e seremos. É natural que desejemos estar no destino sem ter de fazer a viagem. Qualquer viajante em um ônibus ou avião lotado, entre cidades ou continentes, confirmará isso. Entretanto, como é a viagem que determina que pessoa seremos quando chegarmos ao destino, temos de prestar atenção ao que acontece no caminho.

Desejamos ter a fé que Abraão tinha, mas esquecemos das provações por que ele passou para chegar nessa fé. Buscamos o fruto mas esquecemos do crescimento. Desejamos ter a visão de Paulo, a coragem de Lutero ou as vitórias de outros grandes servos de Deus, mas nos esquecemos pelo que eles passaram para atingir essa estatura. Buscamos o resultado mas deixamos de ver o processo. Vemos um atleta em seu ápice, chegando em primeiro lugar, aplaudido pela multidão, mas e o treino que faz dele o que ele é?

É verdade, a vida tem um destino. Mas a vida é, essencialmente, uma viagem. Ainda não estamos lá. Em vez de nos escondermos em nossas cabines desejando que a viagem já tivesse terminado, saiamos para o tombadilho para olhar a paisagem e as pessoas. Há maravilhas para contemplar, experiências a lembrar, lições a aprender. Você também tem a sua para compartilhar. Ainda temos mais um trecho para andar. Boa viagem!

(do livro Sabedoria Pastoral - Trilhando o caminho entre a ingenuidade e o cinismo,
de David W. F. Wong, editora Descoberta, pp. 149-152)

Paulo Rogério Petrizi